Começo a tirar o carro da garagem e já estou para fechar os vidros e ligar o delicioso ar, quando ouço uma saudação vinda de não muito longe. Sim, meu povo, “gente boa” está de volta da viagem a Buenos Aires, e eis a razão por que escutei cedo da manhã um sonoro e indistinguível: “¡buenos días!” E isso, acreditem, foi dito da forma mais espontânea que ele pôde. Daí, contou-me sobre os passeios, a felicidade em conseguir formar algumas frases, segundo ele, com fluência, e que isso e que aquilo outro. Eu confessei minha inveja. Olhei as fotos com interesse, algumas bem engraçadas e, claro, o cidadão fez baitas farras por lá, caiu de boca nos líquidos, provou de quase tudo e contou que ainda arriscou uns passinhos de tango. E eu acredito. A cara satisfeita na minha frente não deixava dúvida que a viagem havia sido muito bem aproveitada, à maneira dele, evidentemente. E isso é só o que importa.
__Qual foi a agência que vocês viajaram? – pergunto interessada no roteiro estabelecido e que agradou tanto a “gente boa”.
__Que agência que nada! Fui pra casa de um parente que mora lá há algum tempo. Gosto desse negócio de viajar por agências, não. Eu quero decidir aonde vou. Não tem nada a ver ‘agência’ (olha o tom pejorativo aí)... "Conoci y hice lo que quise. Y hablé español". – caiu na gargalhada de seus próprios tropeços.
Fiquei mais ainda convencida de que “gente boa”, mi vecino, é gente boa em qualquer lugar deste planeta. E tenho dito!
Um comentário:
dizem que tá facinho ir pra Argentina por causa da desvalorização do peso.
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