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sábado, 11 de maio de 2013

Sobre anjos

Durante muito tempo em minha vida eu dormi olhando para esta imagem (ao lado) e quis muito acreditar que havia um anjo da guarda para cada um de nós, para abafar o medo de qualquer perigo, real ou imaginário. Enquanto dormisse alguém velaria meu sono. Cuidaria de mim. Mas, por mais que eu me esforçasse, não cria, não conseguia... porque não sentia nenhuma presença, e não sentir significava para mim que não havia anjos, da guarda ou não, em parte alguma. Hoje ainda custo a crer neles, mas finjo ser possível imaginá-los ao redor com suas mãos espalmadas sobre minha cabeça. É maravilhoso de se dizer: eu tenho um anjo da guarda, ele é lindo, suas roupas são leves e esvoaçantes, e têm um suave cheiro de alfazema, seus longos cabelos cacheados (e hidratados) caem por cima de seus ombros e sua face serena e límpida emana uma luz de pura bondade, tranquilizadora. Ele é lindo e eu durmo em paz! Protegida pelo que não vejo, mas finjo que finjo que finjo. E ao final, creio..
Sempre me vem essa imagem porque foi o quadro de toda a minha infância lá em casa. Fui criada para acreditar. E quer saber?! Eu até acredito, mas só quando é necessário, porque a fé só chega quando há necessidades em tê-la. Mas as coisas, divinas ou não, não dependem de eu crer para existirem, e ainda bem.
Meu anjo tem um cheiro bom e agradável. Às vezes penso que é o meu cheiro, mas só às vezes...


Imagem: via google

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Desejando milagres

Acordei bem cedo hoje, ainda estava escuro, e fiquei andando pela casa, por àquelas horas só os meus passos e os dos fantasmas, os poucos que restaram por aqui. Eu não durmo bem quando algo me atormenta, porque eles me atormentam também durante o sono, isso quando sou vencida pelo cansaço, mas logo que o cansaço se vai, o pensamento retorna, e às vezes com até mais força pelo tempo que ficou desativado em razão do cochilo. Não vou dizer exatamente o que me tira o sossego, porque não valeria a pena. Mas hoje em dia tudo de certa forma me tira o sossego. Sofro de ansiedade (mórbida). Sofro por não encontrar soluções mentais, que sejam possíveis de pô-las em prática. E isso me deixa louca, essa total ausência de solução. Sou de longe o meu pior inimigo, e sou constante. 

E no quesito doméstico também estou com um tantinho de dificuldade. Zezé, minha auxiliar, partiu para iniciativa privada, estou sem quem me ajude nesse setor. As “trocentas” criaturas que tentei articular, por alguma razão desconhecida (ao menos para mim), não deram certo. Tive que trabalhar isso na cabeça, porque é difícil não ter quem cuide desses assuntos quando se passa muito tempo fora de casa. Tentei também quem cozinhasse para uma semana (ou mais, se fosse o caso), mas todas as tentativas foram fracassadas. Vou dormir pensando, ou melhor, desejando um milagre em minha vida, porque estava realmente sem saber o que fazer. Na verdade, eu havia acabado de assistir um filme tolinho, Mrs. Miracle (Uma babá milagrosa), mas que me deixou com uma enorme vontade de que esta senhora (Mrs. Miracle) viesse me visitar para resolver minhas queixas domésticas. Então, se realmente o pensamento for forte, como todos apregoam que deva ser assim, eu simplesmente devo olhar para o alto e pedir por um milagre, quem sabe por mais de um. É, eu realmente necessito de milagreS...

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sobre meus amuos

Sou dada a uns amuos, sempre fui. Gosto de ficar reclusa quando isso me acontece, porque gosto de pensar nos motivos, ou na falta destes, contanto que eu consiga ao final me redimir, se for o caso. Minhas longas horas de solidão servem especialmente para isto, para pensar. E quem sabe chegar a uma redenção (digo de novo, chego quase à exaustão). Se bem que assim já seria uma perfeição, ou como diz Jerusa, é ilusão, tudo é ilusão. Não sei exatamente ao que ela se refere quando diz “tudo”... Mas a ilusão é real.

Pois muito bem, eu, como qualquer ser humano, também falo coisas impensadas, ou quem sabe só na “hora errada”(?), tampouco sei se existem “horas certas”, porque a gente sempre se pega falando na outra situação, daí concluo que nem posso dizer qual seria exatamente a errada ou a certa. Agarra-se as oportunidades. Diz-se o que se quer, porque talvez devesse mesmo sair e pronto! Não se pode cultivar eternamente os arrependimentos. Afinal, são tantos... 

De que mais me arrependo? De falar coisas na lata, sem trato, sem o devido cuidado. Eu e minha língua ácida e indomada. Mas eu acredito que temos uma fidelidade a nossa essência-mor, por isso muita coisa muda, mas a essência propriamente dita permanece, porque essa nos faz o que somos. Considerem que sem isso corro o risco de não ser coisa alguma, ou melhor, corremos. Esse quiproquó (adoro essa palavra) será resolvido, o tempo acerta as contas e os ponteiros... bendito seja! O resto é entre mim e o mundo. 

Então, a indomada (eu) vai dar um tempo.
Vamos deixar assim... não posso ser mais clara, afinal isso daqui é público.
São só bundas-canastras nos meus pensamentos!
Felicidades!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

em Terapia contínua

[Salvador Dali: “A persistência da memória”]

Em julho deste ano havia [re]começado a fazer terapia. Antes de mais nada devo dizer que sou absurdamente a favor de tal prática. Entretanto (palavra que adoro!), não são todas as pessoas que se encaixam no exercício. Eu, por exemplo! Terapia não é para mim, ou melhor, já a faço há muito tempo, por isso não deu certo a ideia de fazer isso cara a cara com um profissional, e o que é pior, com tempo marcado. Mas que droga!
Passo a maior parte de meu dia sendo controlada pelo tempo, desde a hora em que acordo. Não é justo que na hora em que devo me tratar, a pessoa coloque um relógio virado para si e o olhe vez ou outra, com aquela olhada sutil e discreta, mas que estava dirigida ao objeto representante do tempo.
E o tempo só se esvaindo... tique taque
E eu imagino que ainda não terminei o que vim fazer aqui... [dessas coisas em que procrastinar é vantajoso, ganha-se tempinho a mais] Ou será que é ao contrário?!

Só tenho isso a dizer, por hoje.

Imagem: via Google

domingo, 15 de julho de 2012

Em terapia

Criei coragem e marquei nova sessão com a nova terapeuta. Fiquei um pouco insatisfeita com o horário, melhor, com o tempo da análise. Míseros 40 minutos... e eu tinha muito a dizer. Muito. Fiquei querendo falar tudo de uma única só vez. Num fôlego só. Falei por quase 10 minutos sem parar.  Parecia que o mundo ia se acabar e eu tinha de dizer tudo a que vim nos benditos 40 minutos. Não fui impedida. Fui desmontada, por mim mesma. Falei de viagens, filhos, namorados, sexo, libido, tentação, sonho, medos, trabalho, lenda urbana, livros, infância, esquecimentos e blá. Houve algumas intervenções, mas nada que atrapalhasse a condução, ou melhor, meu desabafo(?). Devo dizer que percebi, em determinados momentos, que suas sobrancelhas arqueavam. Fiquei apreensiva, mas isso também não me deteve. Agora vai!

Pausei para que desse seu parecer. Deu. Não achei nada de mais no que ouvi. Mas estou querendo dar voto de confiança. Especialmente para mim.
Bom mesmo e funcional era quando eu conversava com Kátia Plecs, minha amiga imaginária. Terapia sem tempo marcado no relógio, sem hora para acabar. Apesar de alguns chamarem isso de alucinação ou coisa pior. Mas quem são esses alguns? Para mim?!

Agora me lembrei que estamos quase às portas de agosto... tsc tsc  tsc
Deus me livre de mim!"

sábado, 26 de maio de 2012

Era uma casa muito engraçada...

Havia decidido que não falaria mais de coisas pessoais aqui, foi uma regra que estabeleci, só que estou farta de minhas regras por todos os lados. Afe!
Se eu tiver vontade e quiser dizer algo pessoal, direi, mesmo porque isso daqui está meio paradão... meio?! [tsc tsc].
Direi com o devido cuidado é claro.
Então, fomos hoje entrar como donos pela primeira vez na casa que compramos. Foi aí que apareceram uns ajustes que não estavam previstos, e foram aumentando de número à medida que entrávamos nos cômodos. "Mas não vimos isso antes, por quê?"
__Porque quando a visitamos, a casa estava com os móveis.
__Porque era de noite e tal...
__Porque não nos detivemos atentamente as paredes, ao chão... aos detalhes importantes, do tipo: laje?!?!?
Parece que o deslumbre foi a parte detrás da casa. Lá tem um alpendre bastante agradável, mas que também será reformado. Em suma, vamos gastar muito mais do que estava previsto. Até o teto será refeito, o teto da casa inteira. Serão construídos 2 banheiros. Todo o piso necessita ser trocado. Reboco melhorado nas paredes, que são todas tortas. Aumentar garagem etc etc.
Para dimensionar melhor o drama direi que ela praticamente será refeita.
Prazo para conclusão, sabe Deus!!!!!
Não quero me entristecer com isso, não quero mesmo. Por isso vou fazer contas e mais contas para que tudo possa findar ainda este ano e a reserva técnica dê conta e eu não perca a cabeça e o juízo (o pouco que possuo) por causa de dindim.

Como diria Júlio César: viva Deus e morra o cão!!!

Imagem: Google

sábado, 19 de maio de 2012

A vida como a gente pinta

Quem passa por aqui sabe que eu curto lembrar das coisas primeiras de minha vida...Então, lá vai mais uma...
Eu ainda muito pequena apreciava calças compridas e, claro, queria ter uma. A primeira que ganhei era de brim vermelho e em razão de eu ter sido uma criança muito mirradinha, a calça ficou muito folgada em mim. Não havia número menor. E eu queria ficar com ela de todo jeito. Não faz mal eu uso assim mesmo. Apelei. Supliquei. Não surtiu efeito. A pessoa que me deu o presente, amiga de uma de minhas irmãs, por fim a  trocou por uma caixa de lápis de cor, com 24 cores. Vamos combinar que não tinha nada a ver uma coisa com a outra. Claro que eu gostei bem mais da calça, mas não foi necessário passar muito tempo para que eu já me afeiçoasse com a bendita caixa de cores. Pintei o que pude com ela. Os livros ilustrados em preto e branco que havia em casa receberam um colorido especial. Até mesmo os cadernos recebiam mais desenhos para que depois eu pudesse pintá-los. Devo dizer-lhes que não sou boa desenhista, sou é metida. Talvez seja boa em me conformar com o que tenho, apesar de eu desconhecer, em alguns momentos, essa minha qualidade. Foi bom relembrar do episódio da calça de brim vermelha... A partir disso fui ser guache na vida.
E essa caixa de lápis ficou comigo por muitos anos, eu usava sempre que podia, mas com a moderação necessária para que ela durasse. Durou muito, cerca de uns 20 anos...
É isso!

Ah, não tenho tudo o que quero, isso é verdade, mas tenho ao longo desses anos tentado ficar feliz (e  satisfeita?) com o que já consegui nesta vida... Evidentemente que isso não inviabiliza com a minha necessidade em desejar e sonhar com bem mais. Nem abro mão disso.
E quando a situação exige faço algumas alterações nos planos originais, ou simplesmente as faço porque quero!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Importa mesmo é a travessia

Fazia tempo que tudo estava adormecido e bem guardado, e quem sabe devesse ficar assim para sempre, mas aí, sem mais nem menos, ressurgiu, não sei se a imagem, a música... É, pode ser, é sempre a música que impulsiona as aberturas (das portas mal fechadas, outras escancaradas), elas têm esse poder. Só que não sobrou nada. Não havia nada em que eu pudesse me agarrar. Silêncio mortal. Sem voltas na fechadura.
Lembrei que talvez aqui... mas aqui não faz mais o menor sentido. Então, seria mesmo por lá onde apenas uma cadeira vazia está... Sem palavras. Nunca mais nenhuma palavra. Nenhuma sequer. E mesmo que eu me esforce, acontece naturalmente, nada mais será como antes. Seja aqui ou lá.

Mas sei que não posso ficar presa ao começo ou ao fim, porque interessa mesmo é atravessar... Sempre. Até isso é uma escolha. E quem disse que seria fácil?! Eu repito tanto isso...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Muitos toques sem pontos

É sempre um prazer às vezes por amor mas a maioria das vezes somente por prazer e nisso vou construindo minha colcha de retalhos como essa da foto aí em cima Claro que tenho outras  tão belas quanto mas isso não vem ao caso e só por hoje estou com agulhas e linhas nas mãos Com bons pedaços de retalhos em mente e a agulha em punho que vez em quando dou uma espetada no fuso mas isso dará o tom avermelhado na colcha ou como diria minha mãe a cor encarnada na gente E eu estarei de volta ano que vem porque de tudo que restou da minha virtualidade foi isto daqui que faço somente por prazer Diletantemente

Imagem: Google

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Isso é amor!

Sábado fomos, Sr. E e eu, prum chorinho na Praça Rio Branco. Todo sábado tem chorinho lá. Tenho achado boa essas programações. Diversão bem familiar e boa música aos nossos ouvidos. Dessa vez não foi diferente. Chegamos tarde, mas eu não estava para me lamentar por isso nem por qualquer outra coisa. E aí foi um deleite maestral ao som de músicas de Pixinguinha e Jacob do Bandolim.
Na volta tivemos uma discussão, que eu não entendi bem como começou nem por quê. Mas logo fizemos as pazes. E em casa eu chorei de cansaço. De todos os cansaços que tenho sentido, e que nem posso falar a respeito, não tão diretamente... Mas o que importa mesmo é que foi bom ter chorado, talvez tenha sido motivado pelo chorinho... Não sei. Só sei que desaguei o pranto.
Passei o domingo com cara de coitada, num bode de proporções gigantescas e que foi necessário um esforço hercúleo para eu sair de casa e tomar um sorvete de coco no casquinho, coisa que eu adoro. Depois esticamos um pouco para uma caminhada na praia. Conversar sobre a nossa vida. O que decidiremos a curto prazo, dessas conjugações totalmente na primeira pessoa do plural. Nós! Nós dois!
Mergulhamos profundamente.
Foi bom perceber que ainda há muita cumplicidade e muito chão pela frente para nós. Penso nisso como sendo um amor maduro, que apesar de não existir mais aquele frisson do início, tenha se transformado em coisa bem melhor e mais duradoura. É isso! Claro, há quem fuja disso como o diabo da cruz. Eu não, estou bem assim, obrigada! Era tudo o que eu queria. E talvez eu nem soubesse disso, mas agora eu sei.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Amizade e Victor Hugo


A ideia que aprendi, ainda menina, sobre amizade é algo bem maior que a coleção completa de Victor Hugo e que perdura até depois da morte de um dos amigos, às vezes, de ambos. Sim, de ambos. E foi mesmo assim que sucedeu. Pela minha pouca idade não saberia dizer em que momento a amizade começou nem onde, para mim ela sempre existiu. Sem necessariamente com presença diária, mas um era sabedor da existência do outro, isso parecia ser mais que o bastante. A ligação de que mais me lembro é a coleção de livros, essa que falei no começo. Lembro de Seu Germano, o amigo de meu pai, vindo em casa buscá-los emprestados. Seu Germano era um sujeito meio desengonçado, era alto, tinha dentes grandes e largos, usava uns óculos fundo de garrafa, tinha um sorriso constante no rosto, o que ressaltava ainda mais os seus dentões. Não era uma figura nada atraente, mas não chegava a assustar, tamanha a grandeza que irradiava sua presença. Ele vinha buscar um livro por vez, na sequência em que estavam na estante da sala. Um ritual que já era esperado pelo proprietário da coleção, meu pai. E ele sempre só levava um livro. Poderia levar dois. Mas não, era apenas um, e isso serviria como "desculpa" para ir ver o amigo. Prosear. Discutir assuntos do mundo, da vida, dos livros, de tudo um pouco e sei lá mais o quê... Não faço a menor ideia sobre o que conversavam realmente, sei apenas que um fazia bem ao outro. E isso era certo e bom. Melhor ainda era enxergar essa amizade, que parecia ser forte e verdadeira e fiel. 
Meu pai morreu antes dele, aliás, bem antes, mas ele continuou a ir em casa, deixar um livro, pegar outro e conversar, saber como estávamos passando, sobre a vida, escolas, carreiras e tal. Enfim, terminou de ler todos os livros dessa coleção, mas continuou com suas visitas. E ele vinha sempre. O tempo avançou. Começou a dar longas pausas entre uma visita e outra. Quando pensávamos que ele não viria mais, não que desejássemos isso, lá vinha Seu Germano, velhinho, riso largo, com seus dentões aparentes e seus óculos fundo de garrafa, conversar amenidades, deixar um pouco de sua amizade. Ele necessitava manter essas idas, penso eu. Sentir através dos filhos a amizade de seu amigo, algo que vai muito além de nossa compreensão, mas que certamente não se extinguiu. Nem com a morte, de ambos.
É isso!

sábado, 16 de julho de 2011

Definitivamente, uma colcha de retalhos

[imagem via google-web]

Quando passei no vestibular da Federal eu namorava com W., que havia feito concurso para Polícia Federal e passado, ele iria para Roraima, iria não, ele foi. Os planos eram para ele ir antes e depois eu iria em seguida. Combinamos assim. Nunca fui. É que em matéria de planos, os meus não deram certos. Ou posso pensar exatamente o contrário, deram certo, sim, apenas não foram realizados em seu formato original. A propósito, eu que decidi não ir pra RR. Terminei tudo e tomei rumo de uma bifurcação que surgiu na minha estrada.

Olhando um pouco para trás, vejo que pouca coisa se concretizou de meus planos e sonhos iniciais. No âmbito profissional a ideia era terminar o curso de Biologia, fazer especialização em etologia, mais especificamente com primatas, e depois ir morar na África. Xongas! Nessa época o namorado PF já tinha ido pra Cucuia. É que uma coisa não combinava com a outra. E o melhor a fazer foi cada um deixar o outro ir. Sábia decisão. Eu fiquei em paz com isso. Ele sofreu pacas! Ok, não sinto remorsos por causa disso. A dor e sofrimentos são pessoais e intransferíveis, temos de lidar com eles sem culpar o outro. Aliás, tudo na vida tem a ver com cada um, isoladamente. Portanto, resolva-se! É o lema!

E aí, não me restam tantas lamentações do que não tenha acontecido, ou que tenha. Tudo foi fruto do que tentei, se persisti pouco ou se insisti demais no que estava fadado ao fracasso, problema meu. Ah, sofri e dei muita cabeçada. Bobagens uma atrás da outra com toda a moléstia. Só não me permiti o papel de coitadinha. Sem essa! Por isso algumas pessoas acham que sou de pedra, que não sofro. Ah, ledo engano. Cuidado com as aparências, elas costumam enganar, especialmente quem enxerga apenas o superficial.

Na verdade, senti tudo ao extremo, de bom e de ruim, claro. E sentir é algo para poucos, ou porque poucos não se dão o direito ou porque não querem. E tanto por uma coisa quanto por outra, não me cabe julgar nem me interessa. É o lema!

Onde estou e o que faço hoje?! Estou anos-luz dos planos do começo, e não vou ser ingênua em achar que posso retomá-los. Necas de pitibiriba! Ficaram para trás, e é lá que devem ficar. Eu sigo reformulando outros. Porque não saberia viver sem sonhar.

Nunca fui pra China. Mas, Japão aqui vou eu... E quem sabe, fique por lá.

Estou sonhando...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Indomável

Alguém já lhe disse que eu não sou popular? Sou não, seu moço. Nunca fui. Nem gosto desse negócio e vou explicar de um jeito inexplicável o porquê de eu ser assim. Eu nasci invisível e assim me criei por toda a vida. E mais, gosto dessa minha invisibilidade. Protege-me, dentre outras coisas... Meu tio Eurides dizia que eu era uma índia Tabajara com medo de gente. Um bichinho acabrunhado num canto. Sou isso tudo não. Tenho medo de gente não, de gente, não! Mas não gosto de multidão. E sempre admirei quem é calado e faz tudo sem alarde. Eu entro e saio e imagino que ninguém me vê. E quando eu imagino, é real para mim. Dizem-me que não é bem assim, que sou notada, sim. Mas eu quero não, quero ser invisível e de pouco aparecimento. Quero ser mesmo essa índia Tabajara com olhar desconfiado e, por que não?, dissimulado, acabrunhado. Mas, principalmente, invisível.


'Muito' é algo que eu sempre desconfiei, num sabe? Por quê? Sei não, mas eu me identifico com o dito popular: esmola grande o cego desconfia. Desconfio de tudo e do diabo a quatro. Eu me dou bem com pouco, bem pouco. E quer saber? Até que gosto de ser assim. E gosto da sonoridade dessa palavra de "gostar"... Adoro.

[trechos desordenados do Capítulo 1]

nota de rodapé:
Mudei de novo e de novo. Leiaute simples, como simples son las cosas, porque tudo estava demorando demais para abrir e me falta paciência. Em contrapartida, o que não deveria, 'vai-se' indo depressa demais... devoradas!
Ouvindo aqui  "... y a las cosas simples las devora el tiempo." E espero também, igual a Mercedita, que nem sempre sea así. Oxalá!

quarta-feira, 23 de março de 2011

A descoberta daquilo a que pertencemos

“O patinho feio da história simboliza a natureza selvagem, que, quando forçada a enfrentar circunstâncias pouco propícias, luta instintivamente para continuar viva apesar de tudo. A natureza selvagem sabe instintivamente aguentar e resistir, às vezes com elegância, às vezes sem muito estilo, mas resistindo assim mesmo.”
Clarissa Pinkola Estés – "O Patinho Feio" em: Mulheres que correm com os Lobos

Os dias que se seguiram foram normais, eu retornava para casa sozinha, valendo-me da máxima: “antes só do que mal acompanhada!” Não sentia falta delas. E como poderia? O sentimento que me acompanhava em todo o trajeto era de alívio, igual a refresco gelado em dias quentes, descia doce e suave pela garganta e dava um prazer indescritível.
Seguia meu caminho, muda. Não gostava de falar, seria um tormento ser obrigada a dizer qualquer coisa. Na minha rua eu não tinha muitos amigos, preferia a companhia de Kátia Plecs e da minha outra amiga imaginária, que nunca teve um nome, sempre foi a "Outra". As tardes eram para as brincadeiras e conversas com elas. Boas lembranças disso, dessa inocência desmedida. Na escola também não tinha muitos amigos, pra falar a verdade eu não tinha facilidade em fazer amigos, era incompetente demais nesse quesito. Não era apreciada pelas outras crianças, talvez pelas minhas características físicas e psicológicas, ei-las: quieta, comportada, calada, tímida, reprimida, magra, pequena, feia, cabelos curtos e encaracolados, olhos enormes, sobrancelhas emendadas... Não, eu não era nada atraente para a maioria dos mortais de minha idade. Uma coisa mirradinha que só vendo. Arremedo de gente.
No entanto, uma excelente aluna, digo sem modéstia alguma. Por isso, mantive durante todo o período escolar o primeiro lugar sem muito esforço, me saía bem em todas as provas e atividades escolares, eu era uma danada e isso talvez fosse um dos principais motivos da minha precária socialização com os outros, penso eu. Sabidinha demais. E olhe que não era uma 'gênia' nem nada. Na verdade, a escola é que era pouco exigente.
Nessa época eu lia tudo o que chegava às minhas mãos, não posso dizer que havia fartura de livros em casa, mas o pouco que havia eu lia por puro prazer. Uma enciclopédia chamada Conhecer. Lia os fascículos que ainda estavam sem encadernação, porque pesavam menos. Interessava-me pelos mais diversos assuntos. Havia também uma coleção do folclore brasileiro “Estórias e Lendas do Brasil”, eram cinco livros, divididos por regiões, as histórias eram narradas pelo palhaço Arrelia, todas elas maravilhosas! Tinha medo e compulsão pelas lendas mais assombrosas, mas lia escondido, e depois ficava impressionada e com medo, especialmente na hora de deitar pra dormir. Não queria que ninguém soubesse nada de nada sobre mim. Nem do gosto e muito menos do desgosto. Tampouco dos medos.
E o segundo lugar do colégio era de um menino, igualmente isolado dos outros, os outros o achavam efeminado demais. Faziam insinuações sobre sua masculinidade, ficavam caçoando do seu jeito educado e da maneira dele se vestir. Ele, por sua vez, parecia não dar a mínima, não rebatia os gracejos, simplesmente os ignorava. Eu gostava dessa sua altivez. E nascia daí uma bela admiração por Jaílson, este era o seu nome. Ele tinha o cabelo bem penteado, a roupa bem passada, a camisa com todos os botões abotoados, sentava-se ereto na cadeira, cheirava a alfazema e a banho bem tomado. No recreio ficávamos sozinhos, às vezes próximos, às vezes em paredes opostas. Nunca fomos grandes amigos, mas trocávamos olhares de solidariedade. Era um olhar de compreensão, de não fazer parte de nenhum daqueles grupos, por que jamais seríamos aceitos, sabíamos disso. E eu negava com veemência que sentisse vontade que tudo fosse diferente. Não, não, era melhor do jeito que estava. As outras pessoas nada tinham a ver conosco. Nada!
Em uma das provas, errei propositadamente para ceder o primeiro lugar para Jaílson. Ele merecia, éramos iguais e assemelhados. A professora desconfiou. Quando fez o anuncio olhou pra mim com olhar de reprovação, parecia que sabia, mesmo assim não fez nenhum comentário que pudesse nos constranger, deixou para lá, penso eu. E eu senti mesmo foi o gosto travoso da desonestidade. Mas a repreensão no olhar dela não doeu tanto quanto a minha consciência acusadora em repetição: “Isso foi trapaça!” Que vergonha.
Entretanto, ele ficou feliz com o curto período de reinado. Concluí, por fim, que valeu a pena.
Descansei a consciência por uns dias.

E ao contrário do que possa parecer pelos ditos acima, refiro-me à história do patinho feio, eu não me transformei em cisne. Ah, longe disso. Apenas aprendi a dar ouvidos aos instintos selvagens. Minha verdadeira natureza, o lugar a que pertenço.
FIM

sexta-feira, 18 de março de 2011

A época da cruel inocência

- reeditado -
Lembro como se fosse hoje, lá por volta dos meus sete ou oito anos eu estudava em uma escola que ficava perto de minha casa, Grupo Escolar General Wanderlei, era perto o suficiente para ir a pé. O trecho mais longo era a travessia do quartel do 15RI. Com aquele muro extenso que parecia não ter fim, principalmente em relação as minhas pernas pequenas e magras.
A farda era uma microssaia plissada na cor azul-marinho. A blusa de tergal branca com apenas um bolso do lado esquerdo com o emblema da escola bordada. Simples, mas elegante.
A escola também era simples, sem grandes adereços em sua arquitetura, nada que valesse como recordação. Eu ia só, mas voltava acompanhada de duas meninas que faziam o mesmo trajeto até certo trecho do caminho de minha casa, depois elas seguiam juntas, não sei onde moravam. Elas conversavam sem parar, riam a maior parte do tempo. Embora estivesse com elas, emparelhadas até, eu não participava das conversas, tampouco das graças. Eu não dizia uma só palavra, não tinha nada a dizer nem sentia vontade. Acho que isso as aborrecia. Uma vez quando nos aproximamos da rua em que eu dobraria, elas se entreolharam, deram um risinho de cumplicidade e levantaram a minha saia, por pura maldade. Depois saíram correndo de mãos dadas. Eu fiquei um tempo parada me recompondo da humilhação. Estatalada de vergonha, por isso não saberia dizer se alguém viu aquilo ou não. Mas não importava se havia plateia, senti um desgosto imenso pela invasão gratuita, pelo atrevimento sem propósito. Não chorei, prendi o choro, senti a garganta doer por isso. Fui o resto do percurso tentando entender aquilo e contendo as lágrimas. Na marra.

Quando cheguei em casa, vi meu pai sentado em uma cadeira do terraço, fiquei com mais vergonha de passar por ele, era como se ele pudesse enxergar através de mim o que tinha acontecido. Não queria que ninguém soubesse. Parece uma coisa boba, mas na época fiquei muito encabulada com isso. Passei rapidinho, ele estava de pijama, a perna esquerda dobrada com o pé apoiado no assento da cadeira e o braço também esquerdo estendido em cima do joelho dobrado, acho que lia alguma coisa. E eu desejei ser invisível. Passei por ele, olhei de rabo de olho, ele continuava sua leitura. Ufa! Senti alívio. Corri pro quarto pra chorar. A humilhação doeu na alma e a sensação de impotência causou revolta. Fui pega de surpresa, não tive ação. Mas era assim que eu era, não me defendia de nada, ficava acabrunhada num canto, magoada, mas não ousava retrucar coisas desse tipo. Não iria me vingar, não iria fazer nada, sabia disso. Queria esquecer logo. Demorou um pouco e sofri durante um tempo. Porque tudo ganha uma dimensão maior quando se tem pouca idade e nenhuma defesa.
Custei a confiar em quem se aproximasse de mim. Meu sensor de índia Tabajara, como me chamava tio Eurides, ficou ainda mais aguçado. Fiquei mais cabreira. Conheci a concha do mar...

Criança tende a ser muito cruel em sua inocência. Sem dó nem piedade.
E coisas como essa começam a formar o divisor de águas. E de certa forma serviu para que eu aprendesse a reagir, não a revidar na mesma moeda, porque isso seria uma grande estupidez. Mas sim reagir de maneira a não permitir que me “levantem a saia” apenas porque não faço parte de uma unanimidade em voga. Ou só porque estou na contramão e distraída pisando em estrelas.

"Hoje estou melancólica e suspirosa,
choveu muito, a água invadiu este porão de lembranças,
bóiam na enxurrada a caminho do rio. "
[Adélia Prado]

sábado, 20 de novembro de 2010

Dom de iludir

Minha vida tem sido um faz e desmancha mental eterno. O pior é que pode iniciar e terminar no mesmo dia. Bem, talvez não seja tão pior desiludir cedo, melhor que mais tarde e mais iludida, talvez e quem sabe... Mas eu não me emendo, começo o dia cheia de ilusões, as minhas, as suas e voo... vou criando imagens e situações disso e daquilo. Naquele embalo de agora vai. E boa parte do que vai (imagino) acerto na água, nada de encouraçados, cruzadores, submarinos. Água! E no outro dia, estou com as mesmas, ou outras, ilusões na cabeça. Empolgada pela própria natureza.

Tudo bem, é que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. É ou não é?
E eu nem sei se opto por isso ou não, fico aqui iludida, no entanto, é melhor a não ter ilusão alguma, aí sim, seria triste e insossa a vida dessa pessoa.

Ah, e gosto mesmo de jogar batalha naval, ainda que eu seja uma péssima e inábil jogadora, sou boa na arte de iludir. Tenho o dom. O ofício.
Eu me iludo até em pensar, às vezes, que não me iludo... magnificamente.

Imagem: Google

sábado, 13 de novembro de 2010

De hoje em diante eu vou modificar o meu modo de vida

Bem, pelo menos irei tentar...

Imagem: por Jurvetson em Flickr Creative Commons

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Nalgum Lugar

Nalgum lugar em que eu nunca estive
Alegremente além
De qualquer experiência
Teus olhos tem o seu silêncio
No teu gesto mais frágil
Há coisas que me encerram
Ou que eu não ouso tocar
Porque estão demasiado perto
Teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
Embora eu tenha me fechado como dedos
Nalgum lugar

Me abres sempre pétala por pétala
como a primavera abre
Tocando sutilmente, misteriosamente
A sua primeira rosa
Sua primeira rosa

Ou se quiseres me ver fechado
Eu e minha vida
Nos fecharemos belamente, de repente
Assim como o coração desta flor imagina
A neve cuidadosamente descendo em toda a parte
Nada que eu possa perceber neste universo
Iguala o poder de tua intensa fragilidade
Cuja textura
Compele-me com a cor de seus continentes
Restituindo a morte e o sempre
Cada vez que respirar

Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre
Só uma parte de mim compreende
Que a voz dos teus olhos
É mais profunda que todas as rosas
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas.
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[Composição de E. E. Cummings - na voz de Zeca Baleiro, do álbum Líricas, que eu tenho!]

Porque eu amo essa música, senhores! Amo! E amo tantas outras tão bela quanto, mas hoje me desmanchei em escutá-la... Sou uma bichinha muito besta, como diz T., integrante da SWAT.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Louca inexistência

E logo cedo da manhã o chamado vindo de fora: “Boneca! Ô, boneca!” Nenhuma resposta. E ela continuou o chamamento. “Boneca!” Nenhuma voz contestava a sua de uma palavra só: boneca. A ideia era nova, mas não surtiu efeito algum, nenhuma boneca veio atendê-la. Quem poderia supor que retornara... e de onde? Parou. Deu de ombros. Tomou seu rumo de volta. O seu vulto desfilava pelas calçadas desacostumadas com seus passos. Havia mudanças em tudo, inclusive em sua voz. Só não sei se estava desapontada. Só seguia em frente, dessa vez meio cabisbaixa, (pensativa?). Esguia. Desamparada. Uma infeliz! Pude reparar que estava com um babydoll de "seda" azul marinho, as alças bem finas, mas nada com muito requinte, apenas curto, curtíssimo. Traje novo. Abordagem nova. Não houve reconhecimentos. Desapareceu pela rua de cima do colégio... Foi só!

Cerram-se as janelas das casas. “Ah, é Vera!” Seria como dizer que não era ninguém.
Ninguém a saciar sua fome.
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Para quem não sabe quem é Vera, clique aqui
Acho que hoje, neste exato momento, Vera sou eu!

sábado, 25 de setembro de 2010

Abrindo alas

Os anos 80 foram, talvez, os melhores e piores anos da minha vida, e os mais intensos também. É, não teve nada aos pouquinhos, tudo foi no mais profundo exagero, pra viver, pra amar e pra sofrer. E desse tempo tenho muita coisa boa a recordar, tenho também a me arrepender... Mas chega de pensar nos arrependimentos. O que passou, passou. ¡Hasta nunca!

Desta vez, falarei pouco, muito pouco.

E foi no comecinho dos anos 80, em 81, que passei no vestibular. Minha filha nasceu quase no finalzinho dele, em nov de 87. Quer coisa melhor pra me acontecer do que receber de presente essa obra-filha, como disse Ailton?

Mas eu não sou de ficar amargando o passo no compasso. E embora restem boas lembranças desse período, tenho muito a desfrutar do tempo chamado "agora". Gosto de viver e de me sentir viva, de sentir esse pulsar dentro de mim. E sim, quero ser "feliz" (a meu modo). Com ou sem alguém. Não necessito de alguém perto de mim, eu quero alguém. É escolha. Isso tudo pode mudar. Quando digo que guardo boas recordações, não significa necessariamente que queira que o tempo retroceda. Mas, nem por um decreto desejaria voltar no tempo! Sigo em frente. Sempre!

Assim, pro que der e vier. Bem e louca!