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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Um pouquinho de loucura

"Palavras cruas, palavras impiedosas, despidas de eufemismos bem educados. Impiedade, crueza: duas regalias importantes no hospital (psiquiátrico), utilizadas ao máximo por todos. Para aqueles que nunca ousaram pensar em si mesmos, a não ser em segredo e como indivíduos estranhos e excêntricos, a liberdade significava liberdade para ser doido, pancada, biruta, lunático e, num plano mais sério, louco, insano, demente, fora de si. Havia toda uma hierarquia de privilégios para gozar dessas liberdades."
[em Nunca lhe prometi um jardim de rosas, de Hannah Green, página 48]

sábado, 9 de agosto de 2014

O misterioso caso do sumiço da felicidade

"felicidade se acha é em horinhas de descuido"
Guimarães Rosa 

Antes de mais nada devo dizer que eu não corro atrás da felicidade, sequer acredito que ela exista. Claro, acontecem momentos alegres/felizes na minha vida, para em seguida se desvanecerem feito poeira. Fatalmente que será sempre assim. Não pense que isso é pessimismo meu, porque não é. Apenas sou sabedora da tolice que é ir em busca dela, dessa tal felicidade, dessa "arma quente, queeennnte..."
E ela chega (apesar de toda sua efemeridade) sem a gente ir em busca?! Não sei, não tenho certezas...
Ensinaram-me (e eu aprendi mas estou desaprendendo) que tudo passa. Mentira! Nem tudo passa, há coisas e sentimentos (bons e ruins, claro) que permanecem por toda a nossa vida. Mudam um pouco a forma, a intensidade e o cheiro, mas estarão bem aqui dentro, enraizados. Incrustados! Às vezes de forma dolorida, noutras, nem tanto. Presente firme e forte com toda a gota-serena!
Mas, contrariando o 'desaprendizado' acima, é bom que se diga que a felicidade passa, e bem rápido. Coisas da vida! Talvez nisso resida alguma perfeição, ou não. Quem danado sabe!?
Então, vamos logo ao desfecho porque estou bem impaciente hoje. Não sou assim apenas hoje, mas especialmente. É uma coisa estranha. Eu!
Eis as opções: a) seguir em frente; b) ficar remoendo o que você não pode dar jeito?;  c) jogar na mega-sena; d) mudar a foto do passaporte (qual?); e) fazer um sáfari na África cantando  "the lion sleeps tonight" juntamente com Jimmy, o Cliff; f) estudar para concursos; g) tomar chá de sumiço; et cetera et cetera... Ou, simplesmente ir neste momento lavar a louça do café da manhã...

Bom, pra dizer a verdade eu nem sabia que tinha tantas opções assim. E à medida que escrevia elas foram surgindo, uma após a outra.
Ah, eu não disse, mas digo agora que a questão é de múltipla escolha. Isso é bom. Isso é realmente muito bom!
O que era mesmo que você havia me perguntado? Se sou feliz ou onde se meteu a felicidade, a minha? Ah, eu nunca me faço esse tipo de pergunta, dizendo melhor, não gosto nem que me façam... Sei que não terei respostas satisfatórias, e sei que quanto mais eu pensar a respeito, mas ficará longe de mim essa que eu digo que não existe. E aí, eu vivo, sabe? Simplesmente vivo! E procuro pensar no que me faz agradecer por estar aqui. Coisas, pessoas e momentos especiais para mim. Desses por que valem muito a pena ter nascido. Mas se você, que me pergunta, enveredar (e eu for junto) em busca de respostas, eles deixarão de valer?! Penso que não, mas é melhor não mexer em todas as gavetas. Por isso, calo-me! E eu gosto quando eu me calo.
Ah, e isso me diz muito... Muito mesmo! É isso!

domingo, 27 de julho de 2014

Tudo sobre Vera, nada sobre mim

Hoje vi Vera, a doida varrida. Fazia tempo que não a via, da última vez ela estava, como sempre, com seus trajes minúsculos e com pouca bagagem, dizendo melhor, sem nenhuma. Mas hoje ela estava diferente dos outros dias, com um vestido cinza bem composto, se bem que curto, mas mais comprido que o habitual, uma echarpe em volta de seu pescoço fino, sandálias amarradas corretamente e, claro, a cara carrancuda e tostada de sol, de tanto sol a que ela se expõe (por querer ou nem tanto). A brabeza em pessoa, mexa com ela não. Trazia um saco plástico em uma das mãos (não dava para ver o conteúdo) e na outra, segurava as tiras de uma bolsa, que estava pendurada no ombro. Nem parecia ela, mas bastava olhar um pouco mais pra cima que lá estavam seus cabelos desgrenhados, pintados da cor de jerimum caboclo (o cão de mal pintado), com um corte estilo gogó de sola (galinha com o pescoço raspado), era mesmo Vera, era sim.  A abordagem de sempre: “ô de casa!” Isso quando não chama a dona da casa por “boneca”. Sempre assim, cedo do dia é a hora dela vir reivindicar o desjejum. Dessa vez foi pouco insistente, só repetiu duas vezes e desistiu tomando o rumo costumeiro... Mudança no vestir e tal, mas preservara alguns ritos, creio que para não deixar dúvidas de que era ela, ou talvez não tivesse razão alguma, já que é doida varrida. Pode quem quiser ficar procurando alguma, ela não tinha de fato nenhuma, e quem sabe nem mesmo quisesse isso. Afinal, para que servem mesmo razão, juízo e afins? Faço a menor ideia, e agora mais que nunca...
[Para desenferrujar os dedos]

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Ventania...

 
Percebo minha vida como uma louca ventania, ou melhor, um (louco?) corrupio de vento, por vezes repentino e só "às vezes" um tanto devastador. Ainda bem. E aí, colocar as coisas de volta no lugar nem sempre é com a rapidez esperada, nem sempre é mesmo possível, muito menos posso dizer que seja fácil, por isso aprendi, e sigo aprendendo (é um estado permanente), a contornar e driblar as rajadas, para que elas até possam me tocar, porque às vezes isso é inevitável, mas o maior esforço é para que não arranquem todo meu verniz. E, principalmente, não levantem minha saia.

domingo, 17 de março de 2013

Notícias fresquinhas

Neste começo de ano aconteceram muitas coisas, mas eu preferi digeri-las sem espalhafatos aqui. E agora vejo que foi melhor assim, senão eu teria que, sempre que viesse aqui, me confrontar com as que quis esquecer, ou deixar de lembrar. Bem, o fato é que as coisas estão entrando nos eixos, e isso não é um estágio temporário, penso que elas, permanentemente, ficam assim, acomodando-se às situações, antigas e atuais. E eu digo: ainda bem!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Desejando milagres

Acordei bem cedo hoje, ainda estava escuro, e fiquei andando pela casa, por àquelas horas só os meus passos e os dos fantasmas, os poucos que restaram por aqui. Eu não durmo bem quando algo me atormenta, porque eles me atormentam também durante o sono, isso quando sou vencida pelo cansaço, mas logo que o cansaço se vai, o pensamento retorna, e às vezes com até mais força pelo tempo que ficou desativado em razão do cochilo. Não vou dizer exatamente o que me tira o sossego, porque não valeria a pena. Mas hoje em dia tudo de certa forma me tira o sossego. Sofro de ansiedade (mórbida). Sofro por não encontrar soluções mentais, que sejam possíveis de pô-las em prática. E isso me deixa louca, essa total ausência de solução. Sou de longe o meu pior inimigo, e sou constante. 

E no quesito doméstico também estou com um tantinho de dificuldade. Zezé, minha auxiliar, partiu para iniciativa privada, estou sem quem me ajude nesse setor. As “trocentas” criaturas que tentei articular, por alguma razão desconhecida (ao menos para mim), não deram certo. Tive que trabalhar isso na cabeça, porque é difícil não ter quem cuide desses assuntos quando se passa muito tempo fora de casa. Tentei também quem cozinhasse para uma semana (ou mais, se fosse o caso), mas todas as tentativas foram fracassadas. Vou dormir pensando, ou melhor, desejando um milagre em minha vida, porque estava realmente sem saber o que fazer. Na verdade, eu havia acabado de assistir um filme tolinho, Mrs. Miracle (Uma babá milagrosa), mas que me deixou com uma enorme vontade de que esta senhora (Mrs. Miracle) viesse me visitar para resolver minhas queixas domésticas. Então, se realmente o pensamento for forte, como todos apregoam que deva ser assim, eu simplesmente devo olhar para o alto e pedir por um milagre, quem sabe por mais de um. É, eu realmente necessito de milagreS...

domingo, 13 de janeiro de 2013

O que realmente importa

A reforma da casa está com os dias contados, dizendo melhor, acabou foi a grana mesmo, por isso vamos dar uma pausa nos serviços, não sabemos de quanto tempo, mas será necessário reprogramarmos  o bendito orçamento. Nada que já não estivesse previsto, isso depois dos últimos acontecimentos (nefastos?)... Uma grande pinoia, essa é a verdade, mas a vida é cheia de surpresas, boas e más. Sr.E tem ido todos os finais de semana dar uma adiantada em alguma coisa que possa e saiba fazer, isso nos quesitos cimento, tijolo, hidráulico, elétrico e pá. Algumas vezes, como agora, ele leva o Engenhoso para ajudar. Não conseguem fazer grandes coisas, mas é sempre um avanço. Ando saturada de retrocessos. E apesar de toda essa maré de penúria financeira, que espero ser provisória (Oxalá, mude!), não me sinto no direito de reclamar de nada nem de entrar em depressão por causa desses contratempos. Estou com um irmão em um hospital lutando bravamente com uma doença, igualmente brava, no entanto, não há dúvidas de que o vencedor será ele. Fui visitá-lo um dia desses, e quando entrei senti uma presença divina ali dentro do quarto. Uma luz muito intensa e com boas emanações, daquelas que nos dá paz e sossega o coração. Saí de lá confiante de que Deus mandou anjos para que ficassem ao seu lado, constantemente. E que Ele seja louvado! 
Dessa forma, não há o que temer, há!?
Em mim a sensação é de que estou em reconciliação com Deus... E como é boa essa sensação.
Acredito que dessa vez teremos uma relação madura, da minha parte evidentemente, e por isso mesmo mais duradoura e verdadeira. Oxalá, permita e ajude!
O resto é com o orixá do Tempo.

domingo, 6 de janeiro de 2013

Olá!!!

Daqui a duas semanas entrarei em férias. Animada demais com isso. E enquanto elas não chegam vou ensaiando o descanso, que, a meu ver, e entender, é bem merecido!
Ontem fui à praia depois de um longo período nebuloso e de total escassez de diversão. No começo fiquei um tanto desacostumada, depois fui entrando no clima e me senti em casa novamente. O mar como sempre é um verdadeiro paraíso para se recarregar as energias, aliás, mar e sol. Estava bem necessitada desse deleite. Apesar disso, não quis caminhar, mas achei bom ficar me deliciando com o contato dos pés na areia. Quando cheguei, a maré estava baixando, mas ainda tive o prazer das ondas virem beliscar os meus pés... a água bem morninha. A paisagem perfeita. Todos os tons de azul que se pode imaginar bem a minha frente. Maravilha!
Penso que necessito de pouco para deixar minha alma feliz e satisfeita. E em paz!

Cheiros meus,

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

É um num sei quê


Sempre reluto em contar histórias estranhas... a verdade é que essa relutância acaba sendo vencida por outra vontade, a de escrever.
Então lá vai.
Havia acabado de tomar banho, saí enrolada na toalha, comecei a me vesti, percebi que minha calça jeans (a preferida) não estava no armário, “talvez, Zezé tenha levado para área de serviço para lavá-la.” Como não iria chamá-la do quarto, ela não ouviria, entreabri a porta e com a cabeça para fora pedi que ela a trouxesse. Não ouvindo resposta alguma, tornei a pedir pela minha calça. Sentei na beirada da cama esperando a bendita entrar. Nada dela. Pensei que seria melhor eu mesma ir buscar, seria bem mais prático, não sei onde estava com a cabeça... Quando saí do quarto passei pela sala de estar, vi que minha calça estava estendida ‘graciosamente’ no sofá. “Ah, que bom!” Voltei para me arrumar. Ouço alguém entrar pelo portão da frente. Não dei muito importância, supus que pudesse ser alguém na vizinhança. E depois de pronta fui para cozinha comer algo antes de sair para trabalhar. Encontro Zezé com uma sacola na mão e arrumando coisas na geladeira. Após alguns minutos, resolvo falar sobre a calça que ela estendeu no sofá, depois de eu ter pedido não sei quantas vezes para ela levar no meu quarto, eu estava insinuando que ela estava ficando meio surda. Foi quando ela me disse que não colocou a calça no sofá, que aproveitou que fui tomar banho para ir comprar pão e queijos na padaria, que chegara há pouco tempo dessa saída repentina. Como assim? Perguntei. Você deve ter colocado lá antes de ter saído.
__E por que faria isso? Quando saí você estava tomando banho, não tinha como adivinhar que você iria querer exatamente essa calça... – diante desse comentário eu não tive nada mais a fazer, salvo me calar.
Apesar dela saber que era a minha preferida, tinha razão, a calça não estava no sofá quando fui para o quarto tomar banho, e só depois eu havia decidido vesti-la. Melhor não esticar essa discussão. Não falamos mais no assunto. Só eu fiquei matutando... coisas minhas.
Só estavam na casa neste dia ela e eu... Olhei para o sofá, o bendito sofá (alguns sabem do que falo)... tentei encontrar alguma “lógica” que explicasse como a calça foi parar lá, mas não havia nenhuma.  A única plausível e aceitável era a de que, talvez Zezé estivesse ficando louca e não respondia mais por seus atos. Dessa eu até gostei, confesso, tranquilizou-me por hora. Só podia ser isso mesmo. Louca varrida, porque seguramente eu atraio loucos. Se pensarem bem estou sempre rodeada deles. Zezé pirou!
Por fim, troquei de roupa, fui trabalhar com um vestidinho leve e florido. Não estava segura em desfilar com aquela calça misteriosa... Só isto explica a foto, mas não o tamanho do vestido. Claro!
Pois é!

imagem: via google

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cuidados

Fui ao médico para uma consulta rápida e mostrar resultados de alguns exames. "Suas taxas estão tão elevadas", foi o que ela teceu em seus comentários. "Seria bom você começar um regime". Completou. Depois me mandou procurar um cardiologista. Engraçado como o coração é o responsável pelo nosso bom ou mau funcionamento, apesar de algumas vezes ouvirmos que é o cérebro. Qual o quê! Deixa-o de lado para ver o que acontece... Ai as batidas do meu coração... e as minhas benditas taxas elevadas.
__Você não é gorda, mas suas taxas estão bem acima do normal... Tem vida estressante? Problemas com o trabalho? Isso também pode interferir. Procure se exercitar. E diminua o ritmo... de tudo - disse-me ela.

Eu me alimento bem, almoço quase sempre em restaurantes naturais, já era assim antes de ouvi-la dizer isso, "que devo comer mais frutas e saladas". Às vezes eu almoço só uma saladinha, adoro! Adoro mato! Opto por uma alimentação mais saudável, à exceção dos finais de semana. Ah, aí me dou o direito dos exageros extremos. Mas são só dois míseros dias... Peloamordedeus! Ninguém é de ferro. E eu já decidi que não serei mais radical em coisa alguma na minha vida.
Ah, não vou pirar por causa de taxas elevadas a despeito de todo o meu cuidado gastronômico. Não vou!
E tenho dito!

Imagem: via google

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Só porque isto é um blog

A semana está sendo um tantinho tumultuada. Entretanto, isso tem sido tão comum em minha vida, que já incrustou na pele. Tenho de me preparar para meses bem carregados na empresa. Estou em casa colocando em dia tarefas do trabalho, ou pelo mesmo estou tentando... É, sou uma "mulher que tenta". Sei que não é justo trazer trabalho para casa, mas os filhos já estão crescidos e não reclamam tanto da mãe que se mantém reclusa no "escritório". E como não tenho mesmo nenhum plano para os dias vindouros, ficarei ou estarei integralmente com a mão na massa. Bem, não agora, já que estou aqui escrevendo bloguices... [rs]

Comecei um regime, por isso tenho almoçado sempre em lugares com saladas. Descobri que o "Bonaparte" tem uma variedade razoavelmente boa, e o melhor é que tem um perto da empresa. Fica dentro de um shopping, o que é bem agradável, considerando o calor dos infernos que está fazendo nesta cidade. Depois do almoço é certo uma passadinha para tomar um café, tem um dentro da livraria Nobel. Ah, penso que são duas coisas que combinam muito bem juntas, cafés e livrarias. Apesar de hoje ter tocado o tempo inteiro "Então, é Natal..." Tudo bem, apesar de ser uma musiquinha chata, se não tocar nesta época do ano pode parecer que o mundo vai mesmo acabar. Então é melhor deixar a tradição imperar. E amém!
Por falar em tradição de natal, roubaram todas as instalações elétricas e as luzinhas coloridas das principais ruas do centro da cidade. Eu imagino que foi o dito-cujo que visitou nossa casa, a da construção... Não deixaram nada para fazer sabão. Esta cidade está um horror no quesito segurança, em outros também, mas deixa para lá...

E hoje faz exatamente 16 anos que deixei de fumar... Isso é muito bom.

domingo, 21 de outubro de 2012

As coisas afins

Talvez eu não tenha essa fé e esperança que finjo ter, e só de fingi-las já denuncio que não as tenho. 
Estou um poço seco. Vazia!

De que me adiantam orações, pensamentos positivos, energias positivas, Nostradamus, força do bem e coisas afins, se no fim das contas tudo acontece do jeito que é/era para ser. Porque as coisas são assim, não dependem de nossa vontade, menos ainda de nossas orações. Ora, claro que não faz mal algum pensar que ajudamos de alguma forma com elas, mas isso é só para satisfazer nossos egos metidos a bestas de que temos esse poder. Temos é nada! As coisas que estão para acontecer têm muita força, não somos nada diante delas, tampouco podemos impedi-las. Não, não podemos. Pode se acabar de despejar orações, de emanar energias pelos quatro cantos do mundo, que nada mudará o seu itinerário. Muito menos o seu alvo. Isso é uma verdade, o resto é azeite, senhora avó! Coisas que a gente cria para se enganar e viver melhor. Não passam de enganos. Por outro lado, se você vive melhor assim, que assim seja!
Como não conhecemos o futuro, só Nostradamus(?), pode ser que tudo termine bem. Pode ser... bem como, pode terminar pessimamente. Também pode ser. Só que não tem a ver conosco. Entendem? Não tem. Já iria ser como foi ou será...
Por que eu vou me acabar procurando saídas? Vou não, mas eu quero estar errada neste exato momento, pelo menos em parte. Estou?!
O que nos aflige mesmo é a ideia de mortalidade, quando invariavelmente ela chega bate-nos um temor angustiante pela proximidade do fim... E é terrível mesmo. Mas é uma luta perdida. Claro que a despeito de toda essa merda já ser uma batalha vencida, devemos lutar. Mas a vitória ou derrota depende muito pouco de nós. Vamos seguir à risca tudo o que nos for recomendado, mas o que resulta mesmo depende quanto dessa disciplina? Sei lá. Sei lá!!! O que tenho visto é tão devastador...
E espero que entendam que não chego a essas conclusões com prazer, pelo contrário, gostaria muito de ter todo o poder do mundo para mudar certas coisas, inclusive o curso da história. Ah, por diversas vezes senti vontade de ter esse poder... Assim como o tenho fortemente agora.
Estou azeda, muito, muito azeda! Peço que digam que estou errada, que esse pessimismo (realista?) não ajuda em nada, que eu necessito crer que a mente tem poder para mudar situações, mesmo que elas pareçam sem soluções (como isso é contraditório, mai god). Que eu posso, por exemplo, emanar pensamentos no sentido de curar o incurável (mas se é incurável...). Ou pensando com minha mesquinhez, que também posso acertar na mega-sena acumulada.
E aí, onde se meteu a famosa lei da atração? Bláh! É, essa rendeu um bom dinheirinho para uns e outros.

Quando eu acerto na veia do pessimismo, ninguém pode comigo, e isso porque não tenho bigode, porque aí nem o diabo pode!

domingo, 30 de setembro de 2012

domingo, 16 de setembro de 2012

Meu lado nefasto


Todos esperam que você se recupere rapidamente dos baques diários, como se fosse uma contravenção reclamar da má sorte ou dos fatos desagradáveis em sua vida. Não, não, a regra é que todos devem superar rapidamente e resmungar pouco. “Ainda está nesse lengalenga, menina?” Quem danado quer ouvir lamúrias alheias?! Poucos bem poucos. Ou nenhum!
Diga que está tudo bem, que superou e seja feliz. É isso! Todo mundo faz isso com maestria.
O lema é ser feliz, não importa o quanto finja, tem de ser feliz e, principalmente, demonstrar isso o tempo todo. Tristeza é coisa de gente pessimista e derrotada. Todos em sua volta estão felizes, vendo borboletas azuis e pássaros rosa pelo céu. Tudo é lindo e perfeito. Só você não vê? É porque você não sabe viver! Aprendamos.
Siga em frente, dizem alguns. Ora, e eu nem vejo alternativas além dessa. E o “vamos que vamos” se converteu em algo mais breve e enxuto: Sigamos. O lema é seguir em frente. Tudo bem, penso mesmo que não nos restam alternativas. Já disse isso.
E aí, uma irmã disse que eu escolho casas em lugares perigosos. Talvez ela tenha um pouco de razão, mas devo dizer que a violência é progressiva e móvel. Os criminosos se locomovem. Não existe, pelo menos não neste mundo, um lugar totalmente seguro, nem mesmo nos cemitérios. Todos são incomodados por ela, a violência. Ah, é bem verdade que os mortos se incomodam menos, mas eu não estou nesta fase [rs].
O que foi que houve? Além do fato de ter sido roubada, dado murros em ponta de facas, corrido atrás do próprio rabo, eu estou exercendo o meu direito de ser infeliz um pouquinho. E por que não?

Imagem: via google

domingo, 2 de setembro de 2012

Procurando lugar

Essa madrugada acordei com fortes dores na coluna e estômago. Perambulei por horas tentando achar um modo de diminuir o desconforto. Não havia lugar para mim. Armei a rede na varanda e tentei dormir com o ventinho da madrugada pelas frestas da malha da rede. Mas, qual o quê. Sem jeito que desse jeito. Depois de muito esperar pela melhora, que não vinha, levantei para fazer algo pra comer, supondo que poderia muito bem ser apenas fome, no caso da dor de estômago. Não cria muito nisso, mas em razão de não ter mais por que santo apelar, "fui forrar a barriga", como se diz por aqui. Comi um bom pedaço do pão, que minha mão amassou, com um patê que a filha N fez. Tava muito bom. Mas, não era fome...

[pausa para uma observação pertinente]
Já faz mais de cinco semanas que ando descompensada. O pior é sem encontrar lugar...

Voltei pra varanda para tentar adormecer, de lá pouco se escuta o barulho dos cães dos infernos. Eu prefiro a festa da casa ao lado (lado esquerdo). Milhões de vezes, prefiro. E para minha surpresa, e também tranquilidade, escutei "gente-boa" cantando uma música antiga, nada de som artifical, era só a voz dele entoando na madrugada. Ele não cantava alto nem baixo demais, o bastante pra eu ouvir da varanda. E adormeci com a voz mais desafinada do mundo cantando: "cartas já não adiantam, quero ouvir a sua voz, vou telefonar dizendo..."
Uma canção de ninar. Dormi quase que de imediato e acordei muito bem, obrigada!

No mais, continuo procurando lugar... Nalgum lugar!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ilusão...

É fato que estou um pouco enfarada da falta de sincronismo entre corpo e mente. A verdade é que em determinado estágio da vida eles vão para instantes diferentes. Como agora. Os anos pesam, ai ai ai! Como pesam os anos em nossas vidas. Mas eu não entreguei os pontos. Nem acho que isso vá acontecer nem tão cedo... Sei que a vida é mesmo uma guerra perdida, e que um dia a ceifadeira vence. Certamente, que sim. Não que isso constitua o fim... Eu acredito que a energia (ou o espírito) ou os dois juntos, permaneçam indefinidamente em outras dimensões, ou mesmo nesta, sei lá... Então, enquanto isso não acontece, lá vamos nós para mais uma batalha.

E entre ser ou não uma velhinha engembrada, fica a cargo de quem se enxerga assim. “Mas, se quiser me dizer alguma coisa para eu me sentir bem, fique à vontade.” O espelho diz que eu estou despencando... Credo! E como é importante que o outro diga algo sobre nós. De preferência, algo positivo. Porque sempre esperamos que a definição parta de quem nos vê de fora. Mas deixamos tão pouquinho de fora... tão pouco de nós. Mesmo eu que despejo coisas neste lugar, deixo muito pouco do que sou, sei disso. Isso significa que a visão do outro é tão menor do que realmente somos, ou pensamos que somos... E boa parte de tudo não passa de ilusão.
Vá lá que seja!

Imagem: Google

terça-feira, 5 de junho de 2012

Relaxada

Acordar cedo é bom para colocar em dia, sem interrupções, as leituras acumuladas da semana. Recapitular os pensamentos que se formaram junto com o sonho da noite... e compreender que se eu não tomar as rédeas deles e de tudo o mais em minha vida, pirarei! Mas pirar também faz parte e eu gosto disso... alivia!

O dificil mesmo é sair debaixo da chuveirada quente e deliciosa, esticar as mãos para alcançar a tolha, que sempre a deixo tão longe... Tão longe. Uma vontade de ficar mais um pouquinho, mais um pouco... É uma tentação. Os banhos são restauradores, sejam quentes ou frios. Eu prefiro quente! Quase sempre...

Ainda insisto com a coisa de fazer o pão. É que gosto de 'comer o pão que a minha mão amassou'. E neste caso, como ainda não acertei o ponto, é uma dureza essa proeza. Não, não é um castigo comê-lo, eu capricho nos sabores, o gosto é bom. Parti-lo, já nem tanto... Ah, tem de ser mastigado bem devagar e com vigor. E aí, mês passado Sr. E comprou uma máquina de fazer pão. Gente, não gosto disso, mas agora é assim, máquina para fazer tudo... eu gosto mesmo é de amassar o pão que vou comer. Entretanto, estou inaugurando a danada, fui fazer meu pão integral. É tão maquinal que não sinto como verdade eu dizer que "foi feito por mim." Apesar desse meu quase início de um piti por causa da máquina de pão, percebo que não estaria nesta folga se estive sovando a massa... Mas que é bom dar uns socos na massa, ah, isso é! Terapêutico.

domingo, 13 de maio de 2012

Desejar é transgredir

[via google-web]

[reeditado com a conclusão]
Não sou, nem nunca fui a senhora-tudo-certinho, mas depois de alguns anos vividos (bem e mal) você começa a perceber que tem se dito muitos mais "nãos" que "sins", e que sua cabeça, censora, ficou repressora e seletiva demais de uns tempos para cá. Não ande na chuva, não coma muita carne, não fume, não beba cerveja, não corra, não ultrapasse, não olhe de rabo de olho, não ande descalça, não diga tudo o que pensa, não use roupa muito justa, não cante em lugares públicos, não durma tarde, não ligue o ar-condicionado, não ria alto, não saia só, não medite, não acredite!

Em cada post que reli aqui observei a quantidade de nãos que existem em minhas palavras, fiquei surpresa. Outro dia conversando com Vera Regina sobre pessoas negativas, ela me disse que eu era uma delas, fiquei espantada ao ouvir aquilo, depois agradeci por ela ter sido verdadeira e que eu realmente necessitava escutar de alguém o que já suspeitava que eu fosse. Tenho enganado muita gente com esse arzinho de senhora-tudo-vai-dar-certo, embora eu acredite piamente que tudo passa, e dessa forma dará certo do jeito que era para ser (quem sabe...). Mas há uma raiz de pessimismo em mim, e sempre que estou bem sei que isso não durará muito, porque tudo passa, de bom e também de ruim (ainda bem para esse último). Então, concluo também que não sou das negativas piores que existe neste mundo. Isso me conforma.
Preciso trabalhar para tirar toda essa negatividade de mim o mais rápido possível. Amenizar minha voz  pesada e apressada em dizer não! Sim?!
Ande na chuva, coma muita carne, fume (se quiser), beba cerveja, corra, ultrapasse, olhe de rabo de olho, ande descalça, diga tudo o que pensa, use roupa muito justa, cante em lugares públicos, durma tarde, ligue o ar-condicionado, ria alto, saia só, medite, acredite!
Oxalá!!!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Para alguém bem perto

Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.  

[Cecília Meireles]

Imagem: Google

sábado, 28 de abril de 2012

Não me assanhe!

Minha alma é um bolso onde guardo minhas memórias vivas. Memórias vivas são aquelas que continuam presentes no corpo. Uma vez lembradas, o corpo ri, chora, comove-se, dança…  [Adélia Prado]

Na mente, aqui dentro, uma janela entreaberta. Lá fora o vento continua ventando sem dar tréguas. Arrasta tudo o que vê pela frente e assanha o que estava dentro e, quem sabe, esquecido... Talvez.
Mas só faço um pedido, não me assanhe, vento!