quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O caso do osso enterrado

Eu preciso acertar contas com minha insatisfação. Ultimamente tenho pensado muito sobre mudanças, mas ô coisa difícil, ao menos para mim, é largar o osso. Ele pode até está perdendo o gosto, que não tenha mais tanto frisson assim ao vê-lo, mas é o velho e tranquilo osso conhecido do meu paladar. Sei onde é mais macio, mais tenro, onde fica melhor e tal... O danado é que talvez esse saber tão profunda e tatilmente é que tenha perdido um pouco da graça, da imprevisibilidade... Não, não, isso até tem suas vantagens. Deveria era tirar proveito. Em vez disso, petrifico. Estou imóvel. Pior que isso, imutável. Já não o procuro como antes. Esteja enterrado ou não. Tanto faz. Sei que tá ali bem ao alcance das mãos, mas não dou o valor que devesse dar, ou é simplesmente ausência de interesse e pronto. Mas isso tudo me causa uma tristeza de dar dó, rasga-me o peito com um punhal... Lamentável.

Sobre o que falo? Ora, do osso que está enterrado no meu quintal há tempos...
Queria que tudo fosse diferente. Juro!

"(...) O dia ficou noite
O sol foi pro além
Eu preciso de alguém
Vou até a cozinha
Encontro Carlota, a cozinheira, morta
Diante do meu pé, Zé
Eu falei, eu gritei, eu implorei:
"Levanta e serve um café
Que o mundo acabou!"
[E.Dusek]

9 comentários:

Anônimo disse...

Menina! essa insatisfação é normal em um ambiente profissional. Principalmente no serviço público. Take it easy. Tudo muda o tempo todo no mundo.
Há esperanças para ti.
Melhoras.

JImenna disse...

Este blog está me fazendo virar sua fã, não só pq vc escreve bem e, melhor ainda, de um jeito muito natural e próprio, mas principalmente pq aqui eu vejo espelhos e "narciso acha feio o que ñ é espelho" :D

Bbel disse...

Recebi de manhã um recado numa ferramenta de mensagens instantâneas que usamos na empresa: "Bel, que texto pornográfico e escrachado foi aquele..." [depois entendi que se referia a este post]

Agora lendo esse do Anônimo, percebo que cada um tira suas conclusões. Ao bel-prazer (adoro este substantivo!!!) de cada um. Tudo bem. E eu fico na minha. Desnecessários seriam os esclarecimentos, porque apenas desabafei, não quero fazer terapia disso. Nem submeter meus textos a nenhum tipo de censura moralista. Eu gosto de ser escrachada. Mas sei que não quis me aborrecer, apenas se surpreendeu... Normal.

Então, é isso, pelo visto eu ainda surpreendo as pessoas que estão próximas... Que bom!

Bbel disse...

E Jimenna, meu santo bateu com o seu logo de cara, visse?

.ailton. disse...

eu tô voando ou o quê? um osso no quintal é pornográfico ou eu não entendi a metáfora?

Bbel disse...

Segundo o olhar da pessoa, foi especificamente por causa do trecho: "Sei onde é mais macio, mais tenro, onde fica melhor e tal..."
E o que há pra [des]entender aí?! Há, pois pensou que tenro significasse duro. Daí...

É uma coisa de louco!!!

Bbel disse...

E no final das contas o osso enterrado é só um osso enterrado? Sem metáforas? Nadinha que seja? (lacuna)

Claro que não! A verdade é que esse osso é produto do bode!
¡El bodito de siempre!

ailton disse...

claro que eu não pensei no osso enterrado literalmente. mas juro que não vi o sentido "erótico" que a pessoa anônima viu. Até por que já acompanho teus textos há pelo menos 3 anos (ou seriam 4?) e conheço teu estilo.

posso não entender o teor da linguagem de figura, mas não é por isso que a interpreto da forma que achar conveniente. ou será isso coisa de mulher? sei lá.

Bbel disse...

Coisas de mulher! =]