domingo, 7 de novembro de 2010

Falta de crédito

De ontem pra hoje caí numa enxaqueca terrível, dessas que a pessoa não consegue sair da cama. Ver a luz do sol, nem pensar! Só trevas. A mais densa treva. Mas eu tinha que comer e principalmente comprar remédios. Decidi que comeria e depois os compraria. Dito e feito.
Nessas horas a gente se dá conta de que poucas farmácias abrem aos domingos. No bairro em que moro, nenhuma abre. Tive de ir um pouco mais longe, mais especificamente na Epitácio. Havia um número relativamente bom de farmácias abertas por lá, escolhi a mais ampla. Estacionei. Enchi minha sacolinha com meus analgésicos, algumas vitaminas e fui pro caixa pagar.
O rapaz do caixa muito simpático me avisa que eu poderia comprar um kit antigripal mais barato.
__ Obrigada, mas eu costumo tomar desses. – esclareço.
Ele ainda insiste um pouco mais, mas eu deixo claro que tenho dificuldades com medicamentos, em razão de minhas alergias e blá, por isso não iria inovar. Ele para. Não insistiu mais e começou a passar minhas droguinhas. Entrego meu cartão, peço débito em conta. Ele passa o cartão. Eu digito a senha. Ele me olha com cara de desapontamento.
__Vou ter de passar novamente, ou a senhora errou a senha, ou não tem crédito.
Eu afirmo que não errei a senha, jamais confundo essa senha. E não a errei mesmo.
__Nesse caso, deve ser falta de crédito. – deduz ele. E estende o cartão para mim.
__Como assim falta de crédito? – pergunto sem querer acreditar na insinuação. Incrédula.
__Não ter crédito na conta, senhora.
Ah, bom, entendi. Nada de erros de leitura, ou do sistema. Essas desculpas básicas. Dessa vez é falta simplesmente de crédito da pessoa aqui. Eu é que não tenho dinheiro para comprar meus remédios. Devo ter uma tremenda cara de pobre e de golpista. E tou aqui querendo dar um golpe na farmácia. Eu que a cabeça lateja de dor. Eu que saí na marra, quando a minha cama me chamava, implorava-me para que me despejasse em cima dela. Saí neste calor do cão para tentar dar um golpe de R$ 29,80 em uma farmácia. E fui cair justo nesta...
__Você se incomoda de tentar outra vez? É que eu estou com uma leve impressão que há mais que R$ 29,80 de saldo em minha conta.
Ele fez o que pedi. Repetimos todos os passos. E dessa vez deu certo.
__A senhora deve ter errado a senha da outra vez.
__É, quem sabe...

Saí de lá achando graça na falta de habilidade do sujeito. Depois me lembro que algo parecido com aquilo já havia me ocorrido. E o mais engraçado que também em uma farmácia.
Definitivamente, devo ter cara de pobre. E sem direito a adoecer. Sem saldo nem pra isso.

E viva nossa pátria mãe gentil!!!

2 comentários:

.ailton. disse...

por que vc tem tanta certeza que não errou a senha?

Bbel disse...

Eu nunca erro essa senha. Nunca!