Pensava que estava ficando louca? Que nada! Mandou flores para si mesma, sim senhor. Havia jurado com os dois pés juntos que este ano as coisas seriam diferentes. Pois, sim. Deixa está. O rapaz da portaria avisou pelo interfone, fez questão de exagerar no tamanho do ramalhete. Ramalhete?! Quem ainda usa essa palavra, meu Deus? Desceu no elevador em êxtase, parecia surpresa com a encomenda, como se não soubesse do que se tratava. Sei lá foi o que deu nela?! O rapaz entregou o ramalhete todo sorridente, e com uma pitada generosa de curiosidade ousou perguntar: “São de seu Fulano, D. Beltrana?” Ah, decerto que não! Só faltava ele perguntar o nome do remetente. Mas que inconveniência! Sim, mas e o cartão?
Que estúpida! Nem se lembrou de fazer um cartão para si... Agora já era. Estava mesmo danada.
Deu de ombros e voltou a pegar o elevador agarrada ao peito com o buquê de flores. Escolhera bem. Bom gosto ela tinha e só... Era mesmo só.
Naquele mesmo dia quando a noitinha caiu, saiu para jantar fora. Bebeu o melhor vinho, comeu a melhor comida. Dançou em rodopios. Voltou pra casa já claro do dia. Pediu ao rapaz da portaria que não a incomodasse por nada deste mundo: “não estou para ninguém, seu Biu”. Dormiu abraçada com suas flores ainda intactas e a tv ligada no Telecine Cult.
Tolice. Nunca se bastaria!
Mas, no próximo ano tudo será diferente... Tá prometido!
4 comentários:
Tudo sempre é diferente. As pessoas que não se apegam aos detalhes pra reparar isso. ^^
Só notamos as diferenças se elas foram drásticas.
esse teu texto me lembrou a época, doce época, em que morava sozinha... eu era a minha melhor forma de entretenimento.
ainda sou e dou uma boiada para meus momentos comigo mesma... só nunca me mandei flores!
rs
bjsmeus
Eu também não! [rs]
E que tal se fosse no aniversário dela?! [rs]
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