[foto Andreas Kauppi]
[reeditado]
Ah, eu gostaria muito de dizer que a aparição de Kátia Plecs foi em razão da leitura de Rosinha, minha Canoa. Seria bem mais poético se assim fosse. Se bem que uma coisa ter acontecido em época diferente não invalida totalmente a outra, e tudo pode ter servido como motivo para me tranquilizar de que eu não estaria ficando louca. Ora, se alguém pode falar com uma canoa (que absurdo!) ou com uma árvore (outro absurdo), por que eu não falaria com alguém que só eu conseguiria ver, por exemplo, uma amiga imaginária? Nem seria tão absurdo assim!
[Mais tarde soube que muitas pessoas tinham amigos imaginários, inclusive Frida. [rs] Que bom!
[Mais tarde soube que muitas pessoas tinham amigos imaginários, inclusive Frida. [rs] Que bom!
Ah, mas não foi assim que tudo aconteceu. Foi mesmo pela minha solidão gigantesca. Pela minha inabilidade em fazer amigos. E eu necessitava de um, como necessitava de um... Pari das entranhas a rebelde Kátia Plecs. Não com um tantinho de barro ou coisa parecida, mas com uma porção generosa de imaginação. E ela foi criada a minha imagem e semelhança. E eu vi que isso era muito bom...
Ah, vão dizer que não sabiam disso? Pois muito bem!
"Como é mesmo essa menina?" - perguntava minha irmã Jeine. "Hoje vou com você porque quero ver a cara dela." Mas, ela nunca quis ver essa minha irmã, nem a nenhuma outra pessoa... Mas não era por nada, não. Dessas coisas que não se divide com ninguém. Ninguém. Todas as tentativas foram fracassadas. Jamais uma viu a outra. Mas eu já havia dito isso!
Ah, vão dizer que não sabiam disso? Pois muito bem!
"Como é mesmo essa menina?" - perguntava minha irmã Jeine. "Hoje vou com você porque quero ver a cara dela." Mas, ela nunca quis ver essa minha irmã, nem a nenhuma outra pessoa... Mas não era por nada, não. Dessas coisas que não se divide com ninguém. Ninguém. Todas as tentativas foram fracassadas. Jamais uma viu a outra. Mas eu já havia dito isso!
Hoje eu olhei em todos os lugares e você não mais estava. Nem sombra nem resquícios, nem nada. Entendi que nunca mais a veria de novo. Não houve despedidas, apenas você se foi... Levou consigo minha flor no cabelo. Acho que para nunca se esquecer de mim, como se isso fosse possível... A separação seria apenas visual. Você imaginária. Eu, invisível.
Kátia Plecs foi a melhor parte de toda a minha infância. A melhor!
4 comentários:
Essa é uma leseira que só eu entendo.
Bel
Não é só você que entende não...
Espero que a Kátia Plecs tenha colaborado em ajudá-la a compreender mudanças, controlar sentimentos, ser o preenchimento do que faltava...
Li uma vez que esses amigos nos ajudam a desenvolver nossa personalidade, fora que sao uma ótima válvula de escape num é!
Eu sempre tive um amigo invisível e engracado ele era o meu namorado... a gente se amava, tudo era correspondido, eu era linda, ele também, normalmente associava a um ator famoso da época, eu tinha uns 10 anos.
Dizem que associamos os amigos invisíveis ao que nos falta... mas eu tinha apenas 10 anos, nem sabia o que era namorar! Vai ver eu matei meu companheiro e nunca mais o encontrei, vai ver! rss
Esse texto é daqueles que eu gostaria de ter escrito, muito bonito!
É bem provável que Kátia Plecs tenha me dado boas influências, além da loucura. Nunca lhe disse, mas ela era louquinha-da-silva. Comia de cabeça para baixo, pegava o garfo do lado contrário. Dançava com sua sombra. Gostava de brincar de bola quando ela estava murcha, dizia que a brincadeira ficava mais divertida e que a bola tinha mais força. Corria de quatro levantando poeira como se fosse um animal. E fazia outras bizarrices. [rs]
Não lembro de ter tido namorado invisível, mas eu sei que me apaixonava fácil, e da mesma forma perdia o interesse. Claro que não aos 10 anos [eheheheheh]
Se não temos amigos, o melhor mesmo é inventá-los... quem sabe eles viram reais...
Bbel, tem uma boa semana.
Beijinhos.
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