sábado, 24 de dezembro de 2011

As pessoas são esquisitas e carentes

Ontem, por força das circunstâncias tive de voltar para casa à la Angélica, de táxi. Pedi ao "porteiro" que chamasse um para mim, e ele prontamente fez isso.
Entro, sento, digo aonde quero ir e o taxista dá a partida. Em seguida começa a falar sobre sua vida, assim mesmo e do nada, minha gente. As pessoas têm tido muita necessidade em falar sobre suas vidas, independente de quem seja o ouvinte, parece mesmo algo incontrolável. Eu não gosto de andar de táxi porque não gosto de ensinar o caminho a ninguém. Mas gosto menos ainda de ser obrigada a ouvir uma conversa de um desconhecido, especialmente quando estou com sérias intenções em pensar sobre a MINHA vida.
Bem, a história começou quando ele, convenientemente, pegou o gancho quando  viu passar um menino carregando compras de duas senhoras. E aí já foi disparando que é a favor do trabalho infantil, que é "melhor que roubar", que ele aos cinco anos trabalhava numa sucata, que aos 13 trabalhou numa barraquinha de cachorro quente que sua tia deu a sua mãe, que ela criou ele sozinha, que progrediu com trabalho e blá blá blá. Nisso o meu telefone toca (salva pelo gongo), era Sr. E dizendo que já havia chegado em casa e que estava tudo bem. Foi breve e rápido ao telefone. Pensei em fingir continuar conversando ao telefone para não dar chances de ouvir o desfecho daquela história, que não estava me interessando nem um pouquinho. Entretanto, não estava com saco de fingir, desliguei e fiquei no apelo dele entender que a pessoa sentada no banco detrás não queria saber de conversas. Ah, ledo engano, o energúmeno não pararia por nada deste mundo. Fidamãe! Ele conheceu a mulher atual em 'num sei onde' e está casado até hoje. Ah, é motorista de táxi desde muito tempo. Pronto. Fim da corrida, fim de história.

O trajeto não era longo, mas o danado do tempo se prolonga quando você está querendo que ele se abrevie. É de lascar!
Entrei e fiquei pensando em quem consegue contar sua vida em uma 'corrida' do centro da cidade até um bairro próximo (que não posso dizer o nome). Vida simples e fácil de ser contada, sem complicações, sem depressões, sem aparente traumas... e pruma desconhecida, EU. 

Passado uns milésimos de segundos, caiu a ficha e o censor falou bem ao meu ouvido... isso serve, my dear, para quem tem blogs também, viu? Afinal, o que faz é a mesmíssima coisa, fala com estranhos (em sua maioria), conta sobre acontecimentos de sua vida. A única diferença é que ninguém é obrigado a ler. Mas isso não importa, está dito e escrito do mesmo jeito.
As pessoas são esquisitas e carentes, assim como EU.

2 comentários:

Anônimo disse...

estranho. teu blog nao tá mais atualizando no meu. por isso não passava aqui há tempos.

mas eu gosto de saber da vida dos outros.

ailton

C. disse...

Eu ainda prefiro saber da vida alheia em blog, do que em rede social.

Por incrível que pareca sinto falta dessa "falacao" de motorista de táxi daí, porque a cada ano estou mais longe, e brincando lá se foram 4 que nao dou o ar da minha graca por aí.

Beijos, saudadesssssss