[via google: Deus Jano]
Ela não gostava muito de si quando estava junto Dela. Não gostava nadica mesmo. Mas, vez ou outra Ela se dava conta que estava ali bem pertinho Dela. Podia ser destino, mandinga das brabas, dívida de vidas passadas, qualquer coisa inexplicável. Era o que Ela se dizia quando se dava um encontro infeliz, como aconteceu naquele dia na lavanderia comunitária, quando Ela temeu por sua vida e quis começar um hábito mais saudável. E por causa Dela quase perdeu as estribeiras, ali mesmo na frente de todos. Cansada que estava Dela falando sobre como respirar direito, como isso e como aquilo. Tudo direito. Desassossegada que Ela ficou. E não gostava mesmo de si quando estava junto Dela. Ficava meio sem jeito de dizer isso na cara Dela. Não se olhavam. Mas sempre olhavam para as mesmas coisas de forma diferente. Ah, Ela nunca foi amiga Dela nem nunca seria, tampouco inimiga. Isso jamás. Talvez Ela sentisse mesmo pena porque ninguém dali gostava muito Dela. Todos fingiam. E todos se afastavam cada vez mais Dela. E ela se afastava mais de si porque não gostava muito de si quanto estava junto Dela.
Eram siamesas. Marcaram a cirurgia com iminência.
E nunca mais ninguém encontrou Ela junto Dela. Desacostumaram-se.
2 comentários:
É uma cirurgia espiritual. [rs]
Bbel, esse me pegou de jeito, heheh.
Interessante do inicio ao fim,prendeu, incitou, fez rir ...
Amei!
Essa sua foto, fez lembrar do poema do Cummings ... És,de uma fragilidade poderosa.
Beijão!
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