domingo, 27 de julho de 2014

Tudo sobre Vera, nada sobre mim

Hoje vi Vera, a doida varrida. Fazia tempo que não a via, da última vez ela estava, como sempre, com seus trajes minúsculos e com pouca bagagem, dizendo melhor, sem nenhuma. Mas hoje ela estava diferente dos outros dias, com um vestido cinza bem composto, se bem que curto, mas mais comprido que o habitual, uma echarpe em volta de seu pescoço fino, sandálias amarradas corretamente e, claro, a cara carrancuda e tostada de sol, de tanto sol a que ela se expõe (por querer ou nem tanto). A brabeza em pessoa, mexa com ela não. Trazia um saco plástico em uma das mãos (não dava para ver o conteúdo) e na outra, segurava as tiras de uma bolsa, que estava pendurada no ombro. Nem parecia ela, mas bastava olhar um pouco mais pra cima que lá estavam seus cabelos desgrenhados, pintados da cor de jerimum caboclo (o cão de mal pintado), com um corte estilo gogó de sola (galinha com o pescoço raspado), era mesmo Vera, era sim.  A abordagem de sempre: “ô de casa!” Isso quando não chama a dona da casa por “boneca”. Sempre assim, cedo do dia é a hora dela vir reivindicar o desjejum. Dessa vez foi pouco insistente, só repetiu duas vezes e desistiu tomando o rumo costumeiro... Mudança no vestir e tal, mas preservara alguns ritos, creio que para não deixar dúvidas de que era ela, ou talvez não tivesse razão alguma, já que é doida varrida. Pode quem quiser ficar procurando alguma, ela não tinha de fato nenhuma, e quem sabe nem mesmo quisesse isso. Afinal, para que servem mesmo razão, juízo e afins? Faço a menor ideia, e agora mais que nunca...
[Para desenferrujar os dedos]

2 comentários:

author casulo-online disse...

Belzitia, que prazer te ler denovo!!

Olha, tenho fugido pra outras leituras e percebo a maioria dos pensadores nem casaram nem tiveram filhos. Será que por isso eles tinham juízo? hahaha só tô zoando. Cada vez entendo menos.

Um beijo!

author casulo-online disse...
Este comentário foi removido pelo autor.